Camões

Centro de Língua Portuguesa


Cidade da Praia - Cabo Verde

[1999 - 2020]

O meu nome é Dilma Furtado. Atualmente sou professora de Língua Portuguesa no Ensino Secundário, na Ilha de Santiago, em Cabo Verde.

 

Falar da minha experiência como estudante é relembrar aquilo que foi, não só o meu percurso académico, mas o meu processo de construção enquanto cidadã e profissional.

 

O motivo maior subjacente à minha escolha do curso de Línguas, Literaturas e Culturas - Estudos Cabo-verdianos e Portugueses foi o facto de, desde muito cedo, receber apoio e incentivo na aprendizagem da Língua Portuguesa, compreendendo-a no contexto nacional cabo-verdiano, de diversidade linguística e cultural.

 

Outra razão deveu-se à minha vontade de conhecer as Línguas Cabo-verdiana e Portuguesa, no seu todo, se assim posso dizer, abrangendo a sua estrutura explícita e o domínio especializado de competências de comunicação que me permitiriam o acesso às grandes obras da Literatura, da Cultura e da História cabo-verdiana e da CPLP em geral.

 

Neste âmbito, tive oportunidade de desenvolver projetos de investigação em literatura comparada – o que me proporcionou a possibilidade de estudar a obra da escritora angolana Ana Paula Tavares e da escritora portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen, através do olhar de uma investigadora cabo-verdiana. Tratou-se de um percurso imenso e realmente gratificante!

 

A minha vocação para o ensino foi, certamente, consolidada pelo percurso de aprendizagem científica que desenvolvi no contexto de graduação. O curso de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses contempla, no seu plano de estudo, unidades curriculares específicas nas áreas da Metodologia do Ensino do Português – como língua segunda – de Tecnologias Educativas e Ensino de Línguas, de Educação para a Diversidade Linguística e de Didática da Literatura. Tornamo-nos capazes de analisar as necessidades e os objetivos da comunidade escolar, de operacionalizar as orientações curriculares definidas pelo Ministério da Educação de Cabo Verde, num exercício responsável de mediação para a aprendizagem junto das nossas turmas específicas.

 

O facto de termos aprendido a planificar percursos de aprendizagem consentâneos com a realidade cabo-verdiana, atendendo à necessária diferenciação pedagógica, permite-nos uma ação proativa e autónoma, em prol da educação de qualidade no nosso país.

 

Naturalmente, a responsabilidade que isso implica requer que a formação seja de nível superior, exigente e metódica. Ser-se educador é assumir, de facto, um compromisso com o desenvolvimento da pessoa humana e da sociedade. Eu quis assumir esse compromisso.

 

Pensar no ensino de línguas não significa pensar somente no conhecimento intrinsecamente gramatical e na estrutura da língua. Requer que pensemos, de forma séria, que a competência de comunicação é fundamental para a construção da cidadania e para a assunção da democracia, da justiça, dos direito e dos deveremos para o exercício pleno da nossa liberdade.

 

Não esqueçamos de que todos os profissionais devem dispor de competências sólidas de comunicação e de expressão. O médico precisa de saber escutar o paciente e de se expressar de forma clara e objetiva; necessita de compreender textos de natureza geral e, igualmente, textos técnicos que requerem o domínio de terminologia específica. O seu labor requer que saiba escrever textos altamente especializados, cumprindo normas de escrita convencionadas para que seja admitido enquanto Membro da Comunidade Científica.

 

Para que possa desempenhar as suas funções de forma competente, necessitará de ter o apoio de especialistas no ensino e na aprendizagem de línguas no seu percurso de formação inicial. Este é apenas um exemplo.

 

Evidentemente, poderemos falar da importância da aprendizagem da comunicação nas áreas da Engenharia, do Direito, da Política, do Jornalismo e da Comunicação Social ou da Economia.

 

A questão que quero enfatizar é que o professor de Língua Portuguesa desempenha um papel fundamental na nossa sociedade.

 

O desenvolvimento de Cabo Verde, a consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o melhoramento dos indicadores sociais de bem-estar exige que haja profissionais de excelência nas diferentes áreas.

 

A educação é uma destas áreas – transversal e necessária.

 

A frequência do curso de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses, na Faculdade de Ciências Sociais, Humanas e Artes, permitiu-me compreender melhor essa realidade. Permitiu-me, igualmente, descobrir as oportunidades de carreira no exterior. São recrutados docentes nos níveis de ensino básico, secundário e superior – em países como a África do Sul, a Namíbia, os Estados Unidos, a China ou a Suíça.

 

Organizações e empresas recrutam, a nível internacional, profissionais que tenham um excelente nível de proficiência em língua portuguesa, em áreas como a comunicação, a tradução e a interpretação.

 

A frequência desta licenciatura permitirá que acedamos, posteriormente, a níveis mais avançados de especialização, nomeadamente, a cursos de Mestrado e de Doutoramento, no contexto nacional e internacional, pelo reconhecimento das nossas competências e diplomas de formação.

 

Falar da minha experiência profissional é relembrar a minha primeira fase no mundo laboral. Tive a oportunidade de integrar a equipa e de uma instituição grande que trabalha na promoção e divulgação da Língua Portuguesa. Refiro-me à minha experiência no Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), que contribuiu para a pessoa e profissional que sou hoje. Durante o período de colaboração com o IILP, participei em tarefas diversificadas, do ponto de vista administrativo, apoiando o Instituto na planificação e na realização de diversas sessões de capacitação de docentes, sob a orientação e supervisão da Direção Executiva do Instituto.

 

Relembro, ainda, as minhas experiências no Camões – Centro de Língua Portuguesa na Universidade de Cabo Verde, na Cidade da Praia. Enquanto estudante, participava nas diferentes atividades de ação pedagógica e cultural propostas pelo Centro: oficinas, seminários, conferências, colóquios, visitas de estudo, sessões de cinema e rotas de leitura literária. Posteriormente, enquanto profissional, mantive a ligação ao Centro, colaborando enquanto monitora e, posteriormente, assistente pedagógica, no Programa de Aprendizagem de Português em Contextos Multilingues e Multiculturais.

 

Tendo em consideração o percurso feito, reitero que a frequência do curso de licenciatura me possibilitou um entendimento mais amplo sobre aquilo que é a história, a cultura, a literatura de Cabo Verde. Aprimorei, também, os meus conhecimentos sobre a Língua Portuguesa e os países de Língua Oficial Portuguesa.

 

Foram diversas as aprendizagens, informações e construções que influenciaram o meu crescimento profissional e pessoal. Destaco o aprimoramento das competências comunicativa, linguística e cultural; o desenvolvimento da capacidade de coordenação, organização e orientação; a capacidade de trabalhar autonóma e colaborativamente e de refletir, de forma crítica, sobre o nosso mundo, relacionando as Línguas, a Sociedade, a História, a Cultura e o Desenvolvimento Sustentável em Cabo Verde e no Mundo.